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Meu perfil BRASIL, Nordeste, RECIFE, Mulher, de 26 a 35 anos, Amo música, foto, viajar, escrever, ler e muito chocolate!! |
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Gente, esgotei a cota do Uol para postar... Pois é, fiz jus ao título do meu blog: Tagarela... Mas, não, eu não estou indo embora... apenas mudei de endereço... Segura na minha mão que te dou uma carona... Mas, ao chegar lá, não estranhe: qualquer semelhança com o meu blog anterior, não terá sido mera coincidência! O novo endereço é:
http://www.tagarelando.zip.net
Pois é, continuarei tagarelando!!!!!!! Tô esperando você na minha nova casa!
Dizem que chorar faz bem à alma... Espero que isso seja verdade porque só assim terá valido a pena o choro de hoje... É, hoje eu chorei, aliás, estou chorando... As lágrimas insistem em cair como há muito tempo não acontecia... Por que tenho que ser exagerada até quando choro? Fico horrível, de cara inchada...
Acho que hoje minha "ficha caiu"... Ou melhor, minhas fichas caíram... Pela primeira vez na vida, tive medo exatamente dela: da Vida! É engraçado como um simples fato, um simples gesto de alguém pode lhe levar a desabar, quando já se está no limite... É isso! Desabei!!! Minha vida não é sempre uma aventura hilariante, como comentaram outro dia... Pelo contrário, faz tempo que eu só levo pancada! É que até agora meu senso de humor tinha dado conta do recado... Mas, cansei! Cansei da luta e de lutar... Vou deixar o barco correr... "Vida leva eu!"
Vou me permitir chorar, vou "chutar o pau da barraca" e dizer: não, não sou forte, quero colo! Mas, quero um colo adulto.. chega de infantilidades, chega!!!!!!!!!!!!! Chega de tentar entender aquilo que não tem explicação... Ou ainda, aquilo que está tão claro e só eu tento enxergar diferente!!!Tá bom, vocês não precisam ler isso... Ninguém deve estar entendendo nada... Eu também não! Será que Freud entederia? Duvido muito!
A única coisa que sei é que perdi o sono e no meio da madrugada só dá pra ligar pra Jan, minha amiga, minha irmã de longas datas... Mas, não dá pra alugar o ouvido dela a madrugada inteira né? Então, só me resta escrever... Pobre do meu blog que acaba de perder a identidade "alto astral"... Pobre dos meus visitantes!
Minha mãe será submetida a uma nova cirurgia próximo dia 4! Não, não foi por isso, exatamente, que desabei... Me sinto até mal em dizer isso! Mas foi por isso que não consegui não desabar! São anos de luta contra uma doença que não tem mais cura! Perdi meu pai para o câncer e vou perder minha mãe também! Isso deveria me fazer pensar que algumas coisas não deveriam ter a menor importância... Mas, parece que é exatamente aí que elas se tornam mais fortes!
A única vantagem em se passar a noite acordada é ver o sol nascer e entender que ele sempre nasce... E que as misericóridas do Senhor se renovam a cada manhã! Há sempre um novo dia... Cada dia é único, diferente... E a cada dia, a dor vai diminuíndo, diminuíndo, diminuíndo, até sumir totalmente e você se perguntar: Já? A única vantagem em se passar a noite em claro é saber que sempre haverá mais uma pra você se acalmar, descansar, dormir em paz e pensar em como irá agir!
É, acho que não desisti da luta! Eu não disse que era exagerada? Agora me dêem licença que vou chorar... faz bem à alma... Quanto à cara inchada, umas rodelas de batata podem ajudar!

Hoje recebi um presente MA-RA-VI-LHO-SO!!!! Uma caixa de chocolates... "Made in" Rio Grande do Sul, tchê! Chique, não acham???? Pois é, quem me mandou foi o Ilton do Blog Jus Sperniandi... Bem que ele havia prometido... E não é que cumpriu mesmo???? Como diria uma amiga, estou "inédita" e "estatualizada" (que o Glauco, do Português Hoje, não me ouça, ou melhor, não me leia rsrsr)... A promessa da guloseima veio depois que passei um tempo sem postar... acho que me ausentarei de novo! kkkkkk Brincadeirinha, juro!!!!!
O Fato é que eu sou LOUCA por chocolate... Chocólatra assumida... Gosto de chocolate de tudo que é jeito e tudo que é cor... Pois é, não sou preconceituosa... Mal a caixa chegou, já estava eu lá, provando cada bombom e cada barrinha... Não que eu seja gulosa, mas é que preciso comê-los até a segunda-feira, o dia internacional do regime!!!! Não, ainda não sei se começarei mais uma dieta, nem prometerei isso aqui, mas por via das dúvidas, prefiro devorar logo meus bombons... Até por uma questão de consideração ao Ilton e à sua esposa, Ieda!
Vai um chocolate aí?
Domingo, 25 de setembro de 2004... Acordei às 7 da manhã porque alguém me chamou para o café... Levantei da cama me sentindo nova! Praticamente uma loba do mar! Mas, ao levantar, percebi que se ficasse muito tempo ali no camarote, naquele balanço, as coisas poderiam voltar a complicar. Lembro que Lia me dizia a todo momento: "cai fora, cai fora". Mas, só consegui "cair fora" uns 30 minutos depois.... É que sou um pouco lenta para tomar banho e trocar de roupa, principalmente quando preciso me equilibrar!
Equilíbrio! Essa foi a palavra que me arrancaram do dicionário antes de embarcar no Cisne Branco! Ainda descubro quem fez isso! A todo momento, estava me segurando em algo ou em alguém... Ousaram me chamar de mulher-aranha... Mas, eu não tava nem aí... Faria tudo pra não passar pela vergonha de uma queda.. Mas, isso foi inevitável! Levei duas! Enormes! Além dos vários tropeções e pancadas... Cheguei em Noronha cheia de ematomas! Me apelidaram de repórter cai-cai...
A primeira queda foi silenciosa, sem testemunhas... Estava indo para a Praça D'Armas tentar comer alguma coisa... Desde o almoço do dia anterior que meu estômago não recebia nada... só dava! Com o balanço, saí deslizando por um dos corredores do navio até cair sentada em um dos sofás! Até desconfio que o local daquele sofá foi meticulosamente calculado... Ele não estava ali por acaso! Imagino que já deva ter recebido vários corpos tombados... Lembro que assim que caí passou alguém perto de mim... Eu simplesmente fiz cara de Monalisa, assoviei e cruzei as pernas... Fazendo o tipo "estou apenas apreciando a vista"... Mas, que vista? estava no interior da embarcação...
Finalmente cheguei à Praça D'Armas, mas para minha tristeza o café ainda não havia sido servido! Tomei apenas dois dedos de leite para ingerir mais um dramin... Eu queria estar prevenida! Tratei de sair logo daquele lugar, que tanto me lembrava uma "montanha russa", e subi para o convés! Com fome!!! Mas, preferindo o estômago vazio à uma nova injeção!!!!
Fiquei no convés e comecei a fazer minha segunda matéria... Era inevitável... Eu precisava escrever, no mínimo, as informações que colhia... Não sei se é a idade, mas a minha mente não anda funcionando tão bem... Já não tenho memória, apenas uma vaga lembrança! Eu tentava escrever devagar pra não passar mal novamente... E naquele ritmo fui até umas 10h... Mas, voltei a enjoar e por sugestão do comandante, tomei outro comprimido e me deitei por uma hora e meia, mais ou menos... Foi um santo remédio... O que me garantiu o resto da viagem!
Levantei umas 11h30, voltei ao convés e mandei ver na matéria... Ao meio-dia paramos para o almoço... Àquela altura eu já estava faminta, mas enjoava só de pensar em comida... Mas, insisti em tentar participar da refeição... Pra minha desgraça... Não, engana-se quem pensa que eu voltei a passar mal... A situação foi muito pior! Foi exatamente na Praça D'Armas, na hora do almoço, que eu levei a minha segunda queda histórica! E dessa vez com várias testemunhas oculares, entre tripulação e convidados!!!
Sentada à mesa, equilibrava o copo e os talheres ao mesmo tempo que tentava ingerir um pedaço minúsculo de presunto com frutas... Confesso que estava mais interessada nas frutas... Só de olhar para a carne e o arroz, meu estômago embrulhava... Estava em um sofá encostado na parede, com uma mesa presa à minha frente (creio que seja chumbada), uma pessoa ao meu lado direito e outro ao meu lado esquerdo... Lembro que pensei: "Pode balançar o que for, mas desse jeito, estou segura" ... Certo? Totalmente errado... Coincidência ou não, mal acabei de pensar na minha segurança, já me vi no chão!!!! Como? Pasmem!! Com um balanço mais forte, passei por debaixo da mesa! Deslizei como uma olha de papel!Nem a Ana Maria Braga seria tão competente!
A gargalhada foi geral! Óbvio que o meu próprio riso se juntou ao côro da alegria... Viva meu senso de humor!!!! Mas, aquela queda era a minha deixa... Saí da Praça D'Armas, mais uma vez, sem conseguir ingerir nada... Acho que o comandante se condoeu da minha situação e mandou que me dessem uma maçã! Esse foi o meu almoço e confesso que foi providencial!!!!! Nessa brincadeirinha, perdi 2 quilos na viagem e, óbvio, amei... Acho que preciso fazer uma travessia mais longa, tipo Noronha-Rio de Janeiro, para perder uns 10 quilos... E viva o Spa Cisne Branco!
Passei a tarde no convés fazendo minhas sonoras... Ou entrevistas, como queiram!!!! Como em minhas matérias gosto de mesclar um pouco de brincadeira, lá fui eu... Troquei de lugar com o mestre... Ele assumiu o meu microfone e eu, o seu apito!!!! Bem que eu tentei, me esforcei... Bem que ele me ensinou, mas a verdade é que não consegui emitir nenhum som daquele instrumento... Derrotada por um objeto tão pequeno! Francamente, acho que estava com defeito! É, é isso, devia realmente estar com defeito!!!!
Com o fracasso nas notas e sons que repassam as ordens de comando, resolvi investir em outra área... Assumi o timão!!! Virei Timoneira por alguns, digamos, dois minutos... Tempo suficiente para ser avaliada e receber um "Bom Governo, Timoneiro"... O que significa dizer que fui... péssima!!! A expressão "Bom governo, timoneiro" é usada exatamente pra chamar a atenção do timoeniro pra que ele "se oriente"! Mas, na minha avaliação (e olhe que sou muito crítica) acho que não fui tão ruim... Afinal, chegamos em Noronha, não chegamos? E aqueles meus dois minutos na direção do navio poderiam ter feito o Cisne Branco perder a rota, não acham?
Continua...
O vento finalmente mudou de direção e as velas do navio puderam ser abertas... Até então, estávamos em navegação mista - vela e motor. É simplesmente lindo ver o navio com quase todas as velas em uso... Mas, pra que isso aconteça, o trabalho é grande... é um tal de apito pra lá, força pra cá... puxa cabo pra cá, cabo pra lá... Parece um ballet, com uma imensa disciplina!!!! Na hora do "vamos ver" toda a tripulação participa das manobras no convés... Em cada mastro, uma equipe!!!! E o interessante é que ao final do trabalho há uma comemoração diferente... Quando ocorre tudo bem, os marinheiros fazem algumas flexões... Tá doido? Se fosse eu, iria querer fazer tudo errado... Fazer flexão já é um negócio chato e cansativo... agora, fazer com um navio em movimento e inclinado... Ah, não comentei né? Quando as velas estão abertas, o danado do Cisne inclina mais ainda... afinal, é um veleiro! E quanto maior a inclinação, menor o equilíbrio... principalmente o meu!
Mais um fim de tarde chegou.... Outro pôr-do-sol (cada um é único)... Outro cerimonial à bandeira... Dessa vez teve até Hino Nacional! E dessa vez, não confundimos os marinheiros com o som gravado do apito! É bonito ver a tripulação cantar o Hino...Mais uma vez fui tomada por um sentimento patriótico... Quase que entrava na "formação" também, mas lembrei que sou civil e não militar... E além do mais, não daria certo...Com a inclinação do Navio, era difícil, até para os marinheiros, manter o equilíbrio... Cada verso, uma balançada... cada nota, um escorregão... Agora imaginem se eu estivesse naquela fila? Cada balançada, um risinho... Cada escorregão, uma gargalhada... Meu patriotismo iria embora em segundos! Ao final do hino algumas pessoas (duas, eu acho) aplaudiram... Nunca bato palmas depois do Hino Nacional... Aprendi, quando criança, na escola que não devemos fazê-lo... Só não sei bem o porquê... É uma daquelas coisas que você aprende, mas nunca questiona a razão! Mas, tem sido assim a minha vida inteira!
A noite chegou e trouxe mais música para o navio... Dessa vez não foi o Hino Nacional, mas, sim, pagode e forró... Confesso que não sou muito fã de pagode... e forró, pra mim, tem que ser do legítimo! Mas, quem tá na chuva é pra se molhar e a diversão veio a calhar... dancei, ri, brinquei e até... cantei!!!!! A cena foi meio patética... Eu, no convés, agarrada em uma corda, tentando me equilibar, cantando um brega rasgado com versos que dizem "foi num frasco de perfume, que te fiz prova de amor, mas voce sentiu ciúme e o perfume quebrou..." Dizem que todos nós temos um pouco de "breguice" nas veias... Acho que é verdade, pois, no fim das contas, todo mundo, inclusive o comandante, já estava cantando o refrão "Meu bem, ai meu bem, eu não sou um traidor, eu me agarro com a serpente, arranco todos os dentes como prova de amor"... Tripulação e convidados viraram back vocal!!!! Isso foi muito legal!
A cantoria acabou cedo, pra minha tristeza... "Quando entro numa farra, eu não quero sair mais não". Às 7 da noite fomos jantar... Festival de pizza! Nossa, adoro massa, mas só consegui comer meia fatia... Fui pra maçã de novo! Pelo menos dessa vez eu consegui ficar na Praça D'Armas e participar do jantar, né? Foi engraçado ficar sentada observando o "desequilíbrio" das pessoas... Percebi que eu não era a única... O cinegrafista do Canal 21, que carinhosamente apelidamos de Ninja, coitado, levantou para pegar mais um pedaço de pizza e com o balanço caiu ajoelhado diante da mesa... O cara só podia ser ninja mesmo! Eu, diante da cena daquele rapaz ajoelhado em frente à mesa, não perdi a oportunidade: "Obrigada Senhor pelo alimento"...
Mas, o "Ninja" não foi o único a desequilibrar... o próximo a cair foi um rapaz que estava sentado ao meu lado... E adivinhem onde ele resolveu se aboletar? Exatamente!!! Em cima de mim! Levei aquele banho de coca-cola!!!!! Mas, não liguei... afinal, dizem que coca-cola é bom pra enjôo né?
Depois do jantar me deitei um pouco, mas às 23h já estava no convés esperando avistar Noronha... Aliás, todos estávamos! Seria a primeira vez que chegaria à Ilha de navio... Era a primeira vez que a enxergaria por um outro ângulo... Em pouco tempo avistamos a Esmeralda do Atlântico... Chegamos sob a luz da lua, por volta da meia-noite, uma da manhã, horário de Noronha.. Sim, o fuso horário de lá é diferente! A minha aventura no mar havia chegado ao fim...Infelizmente! Mas, eu ainda tinha uma noite no Cisne Branco e dormi como uma rainha... Pela manhã, mil fotos, trocas de e-mails e telefones com todos com quem fizemos amizade... Recebemos das mãos do Comandante um certificado de participação... As nossas 36 horas no mar, 298 milhas náuticas, estavam devidamente registradas... O certificado vai pra moldura... as fotos vão para álbuns e porta-retratos... e a emoção vai para a minha memória pra sempre...
Desembarquei às 11h... Eu e minhas 4 bolsas... lembram? Mas, por incrível que pareça ninguém pareceu se incomodar ou achou estranho quando eu apareci no convés com tanta bagagem... Também, isso era o de menos depois de tantas quedas, micos, vexames e cantoria... Nunca mais serei a mesma depois do Cisne Branco... Mas, acho que o Cisne Branco também nunca mais será o mesmo depois de nós... E se algum dia, ao visitar o navio, vocês encontrarem uma placa de proibida a entrada com uma foto de uma garota, desconfiem: ela pode ser eu!
Fim da aventura no mar
Hoje é dia das crianças!!!! Sempre amei a data e continuo amando... Lembro que até os meus 17 anos, ganhava presentinhos... E embora fosse adolescente e estivesse naquela fase de querer ser adulta, adorava receber os mimos!!!! Às vezes era um brinquedo, uma boneca, um bicho de pelúcia... Às vezes era uma roupa... Às vezes dinheiro, pra escolher o que eu quisesse... Às vezes, apenas chocolate (hummmmm)... O presente, em sim, na verdade, não importava... Eu gostava mesmo era da lembrança! Talvez porque no íntimo, ainda me sentia como criança, mesmo sem querer admitir! Hoje eu berro aos quatro cantos, sem o menor constrangimento, "SIM, SOU CRIANÇA"... Com 32 anos, até o dia 20 de dezembro, quando faço aniversário!!! Pois, é, caminhando a todo vapor para os 33, mas ainda assim, criança!... E quero continuar dessa forma pro resto da minha vida... Só falta voltar a receber os presentinhos no 12 de outubro!!!!
Fiquem, agora, com um pouco do meu passado!!!

Querem ver mais fotos antigas? Acessem o meu Fotoblog e não esqueçam de comentar!
Sábado, 25 de setembro de 2004.. Chego ao Marco Zero, no Recife Antigo, às 9 da manhã, apreensiva e ansiosa! Era a primeira vez que eu embarcaria em um navio rumo ao arquipélago de Fernando de Noronha!!!! Desço do carro tentando ser discreta, mas desconfiada que, carregando uma bolsa enorme vermelha, eu realmente não conseguiria passar despercebida! Juro que tentei levar uma bagagem menor, mas depois de tirar e colocar, dez vezes, as roupas na bolsa, vi que não dava! Aliás, nunca dá! Desisiti! "Não é possível que num navio daquele tamanho não caiba minha bolsa", pensei! Coube! A minha e mais três... Eu disse T-R-Ê-S, enormes, que eu tive que levar comigo, fazendo um favor a duas amigas que iriam embarcar à tarde para Noronha, mas que já haviam excedido o peso na companhia aérea!!!!! Àquela altura, o meu medo não era mais achar espaço pras malas ou ser discreta, mas, sim, a Marinha achar que eu estava de mudança pro Navio e barrar a minha entrada! Por via das dúvidas, embarquei uma bolsa de cada vez! Se alguém me observou, deve ter me achado uma louca, ou pelo menos, que eu tenho duas irmãs... gêmeas!
Assim que desci do carro fui direto me apresentar no navio! Enquanto eu subia a pequena rampa, minha mente, fértil como sempre, começou a trabalhar... Nessas horas sempre penso que estou em um episódio da Comédia da Vida Privada... E se eu fosse barrada? Já pensou ser impedida de entrar no Navio-veleiro Cisne Branco da Marinha do Brasil depois de tanto alarde que fiz? Seria horrível... Já fui imaginando o que eu diria: "Ah, desculpe, eu me confundi, aqui não é o check in da Varig? Nossa, aqui não é o aeroporto?"
Mas, a medida que fui subindo, meus pensamentos foram se acalmando... Ora, Baby Consuelo e Pepeu Gomes foram barrados, junto com as filhas, na Disney e lucraram muito com isso... O episódio virou música! Pronto! Era exatamente isso que iria fazer: compor uma canção! Pra sorte da MPB e de todos os apreciadores de uma boa música, eu embarquei!
Aliás, fiquei impressionada com a organização da Marinha... Meu nome já estava lá, numa lista de check in, com a indicação do local onde eu seria acomodada: camarote 12! Prontamente um integrante da tripulação me acompanhou até o local carregando minha bolsa (mal sabia ele que eu subiria mais três).. Tudo perfeito não fosse o fato de eu começar a pagar mico! Ao passar por uma das portas do navio, tropecei, me enganchei, quase caí escada a baixo... o coitado do "marinheiro" não sabia se segurava a mim ou a bolsa... senti que ele quis rir, mas em serviço não poderia... Olhei pra ele meio sem graça e disse: calma, vou me acostumar! Mas, mal acabei de falar, levei outra tropeçada! Dessa vez ele não segurou... teve que rir.. e eu preferi relaxar e cair na gargalhada também!
Entramos no camarote (diga-se de passagem, meu nome já estava numa plaquinha na porta) e o rapaz já começou a dar um monte de instrução... a temperatura do ar-condicionado ... os armários... a torneira... o chuveiro... a água quente... a válvula... fiquei mais atordoada com a explanação de tanto detalhe do que com a quase queda na escada... mas, preferi assentir com a cabeça confirmando que havia entendido tudo... pra não magoar o rapaz! Mas, antes dele sair eu ainda disse: "qualquer duvida, eu grito!" Pela cara de assustado, acho que ele não entendeu a brincadeira...
Na porta do camarote me deparei com outro tripulante que acompanhava mais uma convidada para a viagem... Ao me ver, todo sorridente, me falou: Tell Aragão!!!! Seja bem-vinda... me deu dois beijinhos, me apresentou à moça que estava com ele e saiu... Até hoje não sei exatamente quem ele era, mas devia realmente me conhecer... E eu, claro, fiz questão de responder a ele como se o conhecesse há anos!
Depois que me instalei e me familiarizei com todas as escadas, batentes, portas, saídas e entradas do navio, desembarquei pra começar a fazer a matéria sobre a largada da Regata... Estava muito preocuopada... tinha pouco tempo pra fazer o VT, pois às 11h eu teria que estar a bordo do navio, para as boas-vindas do comandante, e a largada estava atrasada... tudo estava atrasado! Até a feira náutica, que só veio abrir suas portas às 10:40... Minha outra preocupação era, também, com o tempo... o tempo da matéria! No dia anteriror levei uma "chamada": seja resumida! essa é a pior ordem que eu poderia receber... geralmente, falo demais... Não sei se vocês já perceberam! Bom, o tempo no Marco Zero eu consegui administrar e às 11h em ponto eu estava assistindo a um vídeo sobre a embarcação e ouvindo as instruções do comandante e de um outro oficial.... Agora, quanto ao tempo do VT... bom, eu tinha dois minutos, mas fechei em três e meio... e não se fala mais no assunto!
Ah! só um aparte: Entrevistar as pessoas na largada da regata é muito interessante... é dificil achar alguém que realmente saiba o que está acontecendo... esse ano, me deparei com algumas respostas do tipo: "realmente, a abertura do verão é uma coisa muito bonita"... ou ainda: "acordei cedinho, seis horas, pra ver a fragata"... mas, tem os honestos: "não sei bem o que é não, eu vi esse navio (o Cisne Branco) na televisão e vim ver pessoalmente"
A Regata começou atrasada... e lenta... o vento não estava favorável... Deu um pouco de agonia ver os veleiros tão devagar... Mas, um a um, eles passaram... 130 ao todo, se não me falha a memória... E a bordo do Cisne Branco, vi todos os veleiros: os grandes, os pequenos... barcos com velas brancas, coloridas...Gente famosa como a família Shürmman, que já vive no mar há 20 anos! Vi até o meu favorito: o pernambucano Ave Rara... que diga-se de passagem, venceu a Refeno... Chegou em primeiro lugar e levou a Fita Azul! "Salve oh terra dos altos coqueiros! De beleza, soberbo estendal! Nova Roma de bravos guerreiros, Pernambuco imortal, imortal!"
Vendo os veleiros, tive vontade de velejar... Foi aí que lembrei que eu também estava naquela aventura... Deu um frio na barriga e uma vontade que o navio saísse logo... Mas, o Cisne Branco foi o último a largar e só partimos perto das 14h... E para matar o tempo, tratei de registrar tudo em fotografia (veja algumas aqui)... Viva a máquina digital!
continua....
A saída foi emocionante... a multidão acenando no cais e o navio se afastando aos poucos, deixando para trás o adeus de cada recifense... Fico imaginando a vida de cada tripulante do navio... em cada porto, a mesma cena: adeus, saudade... Uma vida cheia de despedidas e chegadas... Deve ser difícil... aliás, quero, na próxima, falar sobre isso na minha matéria... esse ano não deu... mais uma vez eu tinha que ser resumida e mostrar, em apenas 4 minutos, uma viagem que durou 36 horas!!!!! Fechei em 6 minutos e meio e, mais uma vez, não se fala mais no assunto!
Durante um tempo vi o Recife ser deixado pra trás... as pessoas, o barulho, a movimentação, tudo foi se perdendo do alcance da minha visão e audição! Várias embarcações, entre lanchas e barcos pesqueiros, nos acompanharam por alguns momentos... Todas traziam pessoas eufóricas a bordo, gritando e acenando... Eu, já no clima da situação, acenava também, jurando ser parte da tripulação do Cisne Branco. E era, pelo menos naquele momento! Mas, afinal, que mágica é essa que o navio possui que nos faz ficar assim, extasiados? Não sei bem ao certo, mas sei que é uma mágica própria do Cisne Branco. Nenhum outro navio da Marinha causa tanto frisson ao atracar nos cais dos portos brasileiros... E, segundo o comandante, a cena se repete nos portos internacionais! Antes de participar da Refeno, o Navio esteve nos Estados Unidos e a receptividade foi muito parecida com a nossa!
Talvez seja pela beleza e estrutura do navio... São 249 pés, ou, pra ser mais clara, 76 metros de comprimento... Dezoito quilômetros de cabos...Trinta e uma velas e três mastros: Traquete, Gata e Grande, que, como o nome já diz, é o maior de todos com 46 metros... aliás, na minha próxima aventura no Cisne, prometo que subo no mastro! São cerca de 20 camarotes e corredores cuidadosamente decorados com quadros, placas... Detalhes que fazem a diferença!
Incorporado à frota da Marinha em 2000, para as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o navio foi construido na Holanda em 1998, inspirado nos "Clippers"... É uma réplica das embarcações do final do século XIX... Lógico que com mais algumas "coisitas", como luz, água (quente e fria), ar-condicionado, equipamentos de comunicação e de navegação, como aparelhos de GPS etc etc etc Mas, nem o conforto nem a modernidade tiram o charme do veleiro... Inevitavelmente você viaja ao passado!
Almoçamos por volta das 15h... Honestamente não sei direito o horário... Era o que menos queria saber!! Marinheira de primeira viagem, literalmente, comi de tudo que havia na mesa... Inclusive feijão preto... Prato, aliás, que fiz questão de repetir! Quanta gula! Já no nosso primeiro almoço, senti que não seria fácil fazer as refeições...Talheres caíam, copos eram derrubados... Na Praça D"armas, local das refeições e de lazer, o balanço do navio parecia ser maior.. E incomodava um bocado! Mas, "é psicológico", me disseram... É só não pensar sobre isso! Ora bolas, eu não estava pensando, eu estava sentindo... Ainda bem que eu havia tomado um dramin antes de embarcar!!!!
Assim que almocei, tratei logo de voltar ao convés para "estabilizar" aquela sensação estranha... Teria voltado mais rápido, não fosse um senhor sentado ao meu lado, que não parava de falar nem por um instante... Eu não achava uma brecha pra pedir licença e me levantar... E o que é pior, meio mareada, como estava, não prestei atenção a uma só palavra daquela conversa! Mas, consegui sair viva e me senti uma vitoriosa... No convés, a sensação de tontura passou e eu havia seguido o conselho de todos: "se alimente bem!" O problema é que eu acho que exagerei! Lição número um: coma moderadamente e prefira as frutas!
Fiquei no convés todo o resto da tarde... conversando com um e outro, pegando informações pra minha matéria, observando tudo e fazendo novas amizades... Adoro isso! Conheci pessoas interessantes... tudo gente boa, cada um a seu modo, com sua personalidade e temperamento... Fiquei mais próxima de Lia e Mariane e tenho me comunicado com elas, mesmo tão distantes... As duas moram no Rio de Janeiro, aquele abraço! Afinidade é uma coisa engraçada, não há distância que impeça!
Ao cair da tarde, exatamente no momento em que o sol se "esconde", é hora do cerimonial à Bandeira! E enquanto o astro centro do nosso sistema planetário vai dizendo até amanhã, a bandeira é retirada... Nessa hora é impossível ficar indiferente... bate um sentimento de patriotismo... De amor ao nosso país!!! E ficamos naquele silêncio, observando todo o ritual... Só se ouve o barulho do mar e o som de um apito... Nos navios da Marinha as ordens são repassadas por apito... cada toque tem um significado... Só no Cisne Branco são utilizados mais de 100 tipos!
Meu cinegrafista, José Antônio, registrou todo esse momento e, tanto eu quanto ele, ficamos tão fascinados com a cena que antes mesmo de acabar fomos ver as imagens na câmera... Tudo muito bom, não fosse pelo fato dele esquecer de baixar o volume... E assim que foi dado o play, lá estava o som do apito novamente... alto como se fosse ao vivo... Tive uma crise de riso, nervosa, e o Zé se desperou... Quanto mais ele tentava baixar, mais ele aumentava... De repente todo o navio estava ouvindo novamente o som do apito e ninguém sabia de onde aquilo estava vindo... Um dos oficiais, desesperado, já estava pronto a chamar a atenção dos seus subordinados... E os subordinados, coitados, suando, imaginando que levariam uma "chamada", se entreolhavam sem entender como aquilo estava acontecendo... Um outro oficial me confessou, depois, que passou a procurar algum navio que estivesse por perto... Pra ele, essa seria a única explicação lógica... pra evitar maiores problemas, eu me acusei logo: Fomos nós! É a câmera! Calma! E quando eles viram a nossa cara de desespero, caíram na risada... Ufa! Achei que iria pra prancha!
continua...
O cerimonial é encerrado tendo o sol e a lua como testemunhas... E basta o astro rei se esconder para a lua reinar soberana... Cheia e linda, iluminando todo o mar! Uma visão fantástica, inesquecível... Inesquecível também são algumas tradições a bordo... Assim que o sol se põe, é hora de desejar boa-noite... E todos se cumprimentam... Claro que eu só vim entender isso depois... Assim que um oficial me desejou boa-noite eu logo perguntei: "Já vai dormir?" Nem preciso dizer que ele caiu na risada né? Eu também cairia!
Às seis da tarde, me sentindo a rainha do mar, desci para o camarote para escrever minha matéria... As idéias estavam fervendo na cabeça e eu não queria perder um só detalhe.. Fiquei ali, escrevendo, escrevendo, escrevendo... E o barco balançando, balançando, balançando... Lição número dois: Nunca misture esses dois "ingredientes"... Mas, só descobri isso quando levantei a cabeça! S-O-C-O-R-R-O! Tive vontade de gritar... Resolvi tomar um banho... Sempre soube que pra curar bebedeira, um banho era sempre bem vindo... E como eu me sentia exatamente assim, uma ébria, decidi que aquela dica seria mais que apropriada!
Não vou entrar aqui nos detalhes do banho, mas posso dizer que usar o banheiro em um navio em movimento, é infinitamente mais difícil que em um avião em plena turbulência! Quanto mais eu insistia em ir para embaixo do chuveiro, o balanço do mar me jogava para o lado oposto... A cena era patética... Tive uma crise de riso e por um momento até esqueci que estava enjoada! Acho que foi o banho mais mal tomado de toda a minha vida!!!! E pra trocar de roupa????? Quase que saio completamente nua pois não aguentava mais tentar me equilibrar e conter o enjôo... Mas, em uma tripulação com 52 homens, achei mais apropriado vestir uma roupa! Tenho certeza que tomei a decisão certa!
Saí do camarote sentindo que o meu "problema" estava apenas começando... Tomei outro dramin pra tentar melhorar a situação, mas àquela altura do campeonato, não havia mais o que fazer: Voltei ao banheiro e passei a chamar, insistentemente, por "Raul" ... Naquele momento eu tive a certeza de que havia, realmente, exagerado no almoço! Fui pra o corredor do navio e me sentei em um dos sofás, completamente desesperada, sem saber o que fazer... Até Lia me encontrar e chamar o médico... Fui pra injeção, não teve outro jeito... Embora eu tenha pavor de agulha, eu estava desejando, mais que tudo, aquela medicação injetável... Tudo para conter o meu mal estar! Entreguei meu braço direito com toda veemência ao "Doc", como era chamado carinhosamente o médico, mas assim que ele aplicou a injeção senti minhas pernas enfraquecerem, fui caindo e só não desabei porque Margot, que assistia a tudo, me segurou pelo outro braço... Que dor era aquela? lembro de ter gritado: QUE É ISSO?!!! Era uma injeção oleosa e quem já tomou esse tipo de medicação, sabe do que eu tô falando... Não tive nem chance de segurar as lágrimas... elas rolaram no meu rosto involuntariamente... "Quero minha mãe", choraminguei!!! Até hoje meu braço dói e sinto um pouco de dormência no lugar da furada!!!!
Depois de tomar a injeção, ainda chamei "Raul" umas duas vezes, mas logo adormeci... Lembro que antes de pegar no sono, olhei pra "janelinha" do camarote e só vi água, água, água... Quando lembrei que ainda faltava um dia inteiro de viagem, me perguntei "O que é que eu estou fazendo aqui?"... Naquela noite, perdi o "cinema" com cachorro quente... Mas, mesmo que não tivesse "desmaiado", não teria coragem de encarar... Aliás, o resto da viagem eu segui comendo apenas maçã.. Perdi exatos dois quilos na aventura!
Ao contrário do que eu imaginava, dormi muito bem toda a noite... Ainda acordei para ver o nascer do sol, mas, como medo de enjoar, preferi não levantar da cama e segui com meu sono até ás 7 da manhã, hora do café!
Fim do Primeiro dia!

Amanhã embarco, literalmente, em mais uma aventura proporcionada pela minha profissão!!! A bordo do Navio-Veleiro Cisne Branco, da Marinha do Brasil, vou acompanhar a XVI Regata Recife-Noronha... Serão cerca de 30 horas no mar e minha idéia é fazer uma espécie de diário de bordo dos detalhes da viagem e curiosidades sobre o navio. O Cisne Branco, que participou, no ano passado, das comemorações dos 500 anos de descobrimento do Arquipélago de Fernando de Noronha, é uma réplica das embarcações do século XIX. Foi construído em 1998 e entregue à Marinha dois anos depois com o intuito de valorizar a cultura e as tradições marítimas. O veleiro é usado como navio de instrução para futuros oficiais e onde chega, chama a atenção! São 76 metros de comprimento, 31 velas e cerca de 20 camarotes!!!! E em um desses, eu estarei!!! Conto tudo, quando voltar!!!!!! Inclusive os micos... Não sei se comentei, mas enjôo com o balanço do mar!!!!!
Em tempo: Pedrinho, 5 anos, filho de uma amiga, ao saber que eu iria embarcar no navio, perguntou:
- Mãe, será que ela vai mergulhar?
- Não sei, meu filho
- Se ela for mergulhar, será que ela vai encontrar o Bob Esponja e o Patrick????!!!!!!!
Ai, ai, ai... Essa vai ser a tarefa mais difícil da minha aventura!!!!
Nunca fui muito boa com essa história de ser chefe, embora tenha um forte espírito de liderança... Mas, essa história de mandar não é muito a minha praia, talvez pelo fato de sempre ter sido "mandada" ou talvez pela minha personalidade mesmo! Nem pra "patroa" eu levo jeito! Fico cheia de dedos quando tenho que dar alguma ordem, alguma determinação à funcionária de minha casa ou mesmo pedir alguma coisa... Mas, tenho melhorado. Atualmente, na hora do almoço, por exemplo, já consigo pedir um ovo mexido sem achar que estou incomodando...
E com toda essa dificuldade, imaginem vocês que até na área profissional eu virei chefe!!!! E o mais engraçado: Só descobri quase uma semana depois quando perguntei à minha colega de trabalho:
- Eu estou assumindo que vaga, exatamente?
- De chefe da assessoria, respondeu ela meio sorridente, meio atônita
- ... Ah! Sei!
Como eu cheguei nesse meu trabalho e assumi uma chefia sem nem saber, é uma outra história que eu conto outro dia. O fato é que eu virei chefe e assim estou há um ano!!! Mas, até o meu "eu" entender que eu era quem estava no "comando", foi engraçado. Morria de preocupação de chegar atrasada... Só não lembrava que era a mim mesma que eu precisava explicar... Se adoecesse, ficava preocupada em ligar avisando, com medo que pudessem achar que eu estaria mentindo ou inventando uma desculpa qualquer... Só não lembrava que era a mim mesma que eu precisava "convencer"!!!!
O tempo passou e essa minha síndrome de "subordinada" também, mas graças a Deus permaneci responsável (pelo menos, eu acho!). Trabalho em uma equipe, onde nos tratamos de igual pra igual, onde todos, ou melhor, todas (somos 5 mulheres) temos direito a opinar e decidir! Onde temos liberdade de combinar horários quando alguém precisa faltar, chegar mais tarde ou sair mais cedo!!!! A minha chefia fica apenas nas assinaturas e carimbos dos documentos que despachamos... E honestamente, acho essa "fórmula" perfeita! Nunca precisei realmente "mandar", com exceção de hoje, quando, depois de me pesar, me senti obrigada!!! Baixei uma portaria, mas desconfio de que não me levaram muito à sério!!!!
Portaria NCS nº 001/2004 em diante
A Chefe do Núcleo de Comunicação Social (e segundo o contracheque, chefe também do Setor de Educação Ambiental), considerando o seu peso atual de 76 kg e 800 gramas,
RESOLVE:
1. Instituir regime para ela própria e para todas as integrantes do Núcleo de Comunicação Social para que assim, possam incentivá-la a emagrecer. Portanto, a partir de agora, ficam proibidos os biscoitos, as bolachas, os chocolates, os salgados e os doces (mesmo que provenientes de aniversários de parentes). Ficam permitidas as frutas, como mamão, banana e maçã, devidamente cortadas pela mamãe (de Franci) e em quantidade maior para dividir com a chefe. OBS: A jaca, apesar de fruta, também está proibida.
2. Instituir todo o NCS como Grupo de Trabalho para fiscalizar o regime acima determinado. O grupo será responsável por proibir lanches fora de hora e, principalmente, os politicamente incorretos, como coxinha, sanduíche, cachorro-quente, empada, refrigerante e bolos de bacia.
3. Proibir a babação à chefe. A partir de agora estão proibidos: o empréstimo de dinheiro para lanchar e, principalmente, a liberação da utilização do nome no caderno da lanchonete para o famoso "fiado".
4. Instituir prazo de 30 dias para a perda de, pelo menos, dois quilos, sob pena, para o grupo de trabalho, de transferência para outro setor e trabalhos extras nos finais de semana.
5. Determinar que a presente Portaria entre em vigor na data de sua publicação.
Recife, 21 de setembro de 2004.
ETELVINA ARAGÃO
Chefe do Núcleo de Comunicação Social
Aprendi a gostar de Fernando de Noronha!!!! A frase pode até soar de forma estranha, afinal quem, em sã consciência precisaria aprender a gostar de um "paraíso"? De um dos destinos turísticos mais procurados por viajantes de todo o Brasil e do mundo??? Pois, respondo, com toda sinceridade: EU!
O fato é que nunca havia conseguido ver Noronha com olhos de turista... E talvez nunca veja, não totalmente! Desde a minha primeira estadia na ilha, minha relação com a "Esmeralda do Atlântico" sempre foi de trabalho... trabalho...e trabalho! Nada mais que trabalho! Não que isso não tenha sido gratificante. Na área profissional, Noronha foi, e sempre será, uma escola pra mim. Estive lá em 95/96 por dois meses; em 2002, por 20 dias e em 2003, por 7 meses e me atrevo a afirmar: O paraíso é quase um inferno pra quem vai morar... Viver em Noronha é como estar em uma prisão... Não a do mesmo tipo de 1938, quando a ilha foi transformada em presídio político, mas uma cadeia emocional... Noronha é um grande Big Brother, onde sua vida é vigiada, controlada e comentada... A única diferença é que não há o prêmio de 500 mil reais no final... Aliás, não há final!!!
Foi só no carnaval deste ano, quando viajei pra Noronha por 10 dias e pude ser um pouco turista, que me apaixonei pelo arquipélago pernambucano, formado por 21 ilhas e ilhotas, a 545 Km do Recife, no meio do Atlântico, com pouco mais de 2000 habitantes. Minha descrição da ilha mudou... Antes dessa viagem, eu saberia lhe dizer o tamanho do arquipélago, a quantidade de moradores, os nomes das praias, um pouco da história... Mas, a partir do carnaval, eu relaxei com Noronha... E ela "baixou a guarda"!! Fizemos as pazes e hoje posso posso dizer que Noronha é um sonho único que precisa ser realizado várias vezes!
Noronha me recebeu de braços abertos, linda como sempre!!! Como da primeira vez que a vi em dezembro de 95!!! Lembro que fui acometida por uma sensação inexplicável, fiquei estarrecida quando da janela da aeronave Embraer-Brasília, avistei aquele pedaço de terra rodeado por água!!! Como aquilo podia existir??? Um ponto perdido no meio do oceano!!!! Acho que fiquei com aquela imagem congelada por 8 anos e só em 2004, "desci do avião" para ver realmente e usufruir das belezas do lugar, tanto da terra, como do mar... Sim, fiz mergulho pela primeira vez e não saberia dizer se Fernando de Noronha é mais bonita do alto ou do fundo!!!! Seria necessário inventar uma palavra pra descrever aquele lugar! As fotografias e imagens, por mais belas que sejam, nunca conseguirão mostrar a intensidade dos encantos!!!
O primeiro mergulho a gente nunca esquece!!!
Parte II
Fortaleza nem sempre foi o nosso destino final... Nem muito menos, nessa época, viajávamos sozinhas... Éramos de menor, eu e minha prima. Aliás, de menor MESMO! Lembro das viagens quando eu tinha entre 6 e 7 anos... Quel, minha prima, tinha uns 11... Ainda não dava pra encarar as aventuras de ônibus para Fortaleza! Tínhamos que nos contentar em viajar com toda a família, de carro, para Pacajus, interior do Ceará, pertinho da capital.
"Nos contentar" é modo de dizer. Pra mim não havia coisa melhor do que acordar às 4 da manhã para pegar a estrada... Hum... pensando bem, o acordar de madrugada não era lá muito animador, mas já na estrada, à medida que o sol surgia, despertávamos totalmente, pra "desespero" do meu tio... Não parávamos um segundo sequer... Doze, eu disse, doze horas de viagem... Não, nessa época ainda não cantávamos "Mariana Conta um..." Não cantávamos, mas, contávamos... os quilômetros!!! Quer dizer, minha prima contava... Passava horas olhando o painel do carro... Eu, como não sabia exatamente de onde ela tirava aqueles números, achava que a contagem era a medida da distância entre uma árvore e outra, ou mesmo entre uma placa e outra na estrada... Eu tentava acompanhar a "brincadeira", até começar a achar que aquele passatempo muito bobo e passar a perguntar: "Falta muito?" Com toda paciência, meu tio respondia: "Tá vendo aquela subida na estrada? Quando chegar lá, vai estar mais perto". E quando chegava a tal subida, eu perguntava mais uma vez: "falta muito?" A resposta era sempre a mesma... A viagem inteira!
Às 8h da manhã começávamos a lanchar... Sanduíches, biscoitos, frutas, refrigerantes... Havia um isopor e várias sacolas (de papel) cheias de guloseimas preparadas carinhosamente por minha tia na véspera da viagem. Acho que esse era o momento mais animado pra mim... É, sempre fui chegada aos lanches... Depois de devorar tudo o que podia, não havia jeito, o negócio era olhar a paisagem... Mas, pra uma criança de 6 anos, isso não era lá muito interessante! Logo ficava entediada e aí, minha imaginação aflorava! Numa dessas viagens eu jurei ter visto um ser humano em miniatura, igual ao seriado "Terra de Gigantes". Pior não foi isso... Pior foi tentar convencer meu tio a parar o carro para eu pegar aquela "miniatura"! Óbvio que ele não parou!
Em Natal, parávamos pra almoçar e nem me pergunte: COMO? Já que Natal fica a umas 5 horas de Recife... Plagiando personagem de Ariano Suassuna, do "O Auto da Compadecida", eu respondo: "Não sei, só sei que foi assim". Já fiz as contas umas 500 vezes! Mas, que parávamos, parávamos!!! Ou será que era em Mossoró? Vixe, agora não lembro mais! Passávamos tanto tempo nas estradas do Rio Grande do Norte que sempre confundia as cidades... Era exatamente nesse Estado que a viagem parecia não acabar!
Chegávamos em Pacajus, terra da cajuína, no final da tarde! Uma comitiva de familiares sempre nos aguardava. A casa de Dona Joaninha (vó da minha prima) era no centro da cidade, bem em frente à praça e, claro, à igreja Católica. Uma delícia de casa. Bem simples, com portas de madeiras, dessas que abrem a parte de cima e depois a de baixo... O piso da sala e dos quartos também era de madeira. Já o do restante da casa, de cimento. O telhado era todo em telha, sem forro. A TV? Preto e branco... A mesa das refeições, enorme!!!! E havia um cachorro que ficava enlouquecido quando chegávamos. Seu nome era "Duque" e eu ficava espantada como ele nos reconhecia, mesmo só nos vendo uma vez por ano!!!!!
A casa de Dona Joaninha ainda está lá, quase do mesmo jeito, em frente à mesma praça, mas ela, Dona Joaninha, não está mais lá... nem Duque!
O dia da chegada era apenas pra desfazer as malas, arrumar as roupas no armário, tomar banho, jantar e contar sobre a viagem e as novidades. Dormíamos cedo pra acordar cedo! Os dias em Pacajus eram sempre cheios de atividades: Brincar de bonecas, jogar, andar de bicicleta pelas ruas calmas de paralelepípedos, comprar e comer umas rosquinhas sem gosto (embora deliciosas), passear na pracinha e ir pra casa dos nossos primos! Uma casa enorme, com um quintal maravilhoso pra correr, jogar bola, brincar de pega-pega e de esconde-esconde! Mas, o mais divertido era a aventura pra chegar lá! A casa ficava do outro lado da BR, que passa no meio da cidade, e achávamos o máximo ter que atravessar a pista!!!!
O Único problema na casa dos meus primos era um sagüim que havia por lá! Bom, ele ficava preso em uma árvore por uma corrente e eu, muito "calma", como sempre fui, ficava de longe irritando o bicho! O pobre do animal ficava super agitado e irritado porque não conseguia revidar, já que estava preso! Até um dia eu esquecer de sua existência e passar em baixo da árvore! Se, naquele dia, a minha memória não funcionou, a do sagüim foi implacável. Ele não só lembrou de mim, como "descontou" todas as malvadezas que eu havia feito, me atacando e prendendo minha mão entre seus dentes!
Pronto, o estardalhaço estava feito! Eu berrava e chorava sem parar, muito mais de medo do que de dor... Medo de virar a mulher-macaco, afinal se o homem-aranha havia se transformado em um ser mutante, depois de uma picada de uma aranha, por que não poderia acontecer o mesmo comigo? Lembro que eu chorava e falava: "Tá vendo? Já tô com vontade de comer banana"! Bom, eu não virei a mulher macaco, muito menos a MONGA, mas talvez esse episódio explique a minha facilidade em pagar mico!
À noite, os adultos colocavam cadeiras na calçada e nós comprávamos sorvete na praça... Nada de Kibom ou algo parecido... O sorvete que nos encantava era vendido num carrinho de metal, junto com o algodão-doce! Um sorvete caseiro, cor-de-rosa misturado com branco, com gosto de nada, mas simplesmente, um "manjar dos deuses". Tomávamos sorvete, ouvíamos as conversas dos adultos e ficávamos olhando o céu estrelado, tentando contar as estrelas... Não sei se é impressão, mas o céu, no interior, é sempre mais bonito! Na sexta à noite, ou às vezes no sabado, íamos todos, a um restaurante, uma espécie de clube ou churrascaria! Não esqueço dos refrigerantes que tomava: Guaraná Mirinda e Guaraná Wilson... Eu nem gostava tanto, mas pelo fato de não ter em Recife, eu ficava empolgada e sempre optava por eles.
Mas, o melhor dia em pacajus era mesmo o domingo... Havia um feira onde se vendia artesanato. Bem em frente à Igreja... Lá, comprávamos utensílios de barro para nossas bonecas, casinhas e brincadeiras. Lembro que sempre voltava irradiante da feira, pois levava "um dinheiro", voltava cheia de objetos e com "vários dinheiros" de troco! Eu sempre achava que havia sido mais "esperta" que o vendedor e contava vantagem para todos! Eu só não entendia bem o motivo das risadas!!!! Era realmente muito bom quando eu não sabia o valor (ou a desvalorização) do dinheiro!!!!!
O mês em Pacajus voava rapidinho... As férias acabavam e sempre tínhamos que voltar... Na mesma "rotina" de viagem... Acordar às 4 da manhã, pegar a estrada, tentar contar a quilometragem, perguntar se "falta muito pra chegar" e comer o lanche que minha tia preparava na véspera com o mesmo carinho.... Só que com uma diferença, além dos costumeiros sanduíches, biscoitos, frutas e refrigerantes, ela ainda encomendava à vizinha, 50 pastéis deliciosos!!!! Não sei bem o porque, mas entre as viagens de ida e volta, sempre preferia a volta!!!
Depois de um longo e tenebroso inverno, eu voltei... e de cara nova!!! Não exatamente como eu queria ou gostaria, mas ainda estou aprendendo a mexer nesse tal de HTML... Até que o negócio é interessante, mas nas minhas "experiências" em alterar os códigos do template, quase perco meu blog! Bom, o diário (pra não dizer mensário) eu não perdi, mas o tempo... vixe! Bem umas duas horas... Acabei ficando sem postar... Pra quem esperou quase dois meses, dá pra aguentar mais um dia né? Aproveitem pra dizer o que acharam do meu "novo" blog!
Hoje parei para arrumar coisas antigas, esquecidas em pastas, prateleiras e gavetas... Entre muitos papéis, um, em especial, me chamou a atenção... Era uma pequena crônica, se é que os escritores me permitem chamar assim... Na verdade, um trabalho de faculdade... Da disciplina percepção melódica, do curso de licenciatura em música, que nunca terminei... Ao ler aquelas páginas, vi que ali estava apenas o borrão! Sim, o original, com certeza alterado na hora de "passar a limpo", ficou com o meu querido professor Marco Caneca, que, embora tenha me prometido devolver os escritos, nunca o fez! Espero que ele tenha feito melhor proveito... Pois eu deixei meus pensamentos esquecidos numa prateleira velha por oito anos... Desde 1996!!!! Talvez este seja o momento certo para me redimir... Espero que gostem do texto, até hoje, sem título!